Livros em destaque

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Suad Amiry
  O outro lado do conflito israelense-palestino descrito de forma leve e irônica nos diários de guerra de uma mulher

O livro desmistifica a idéia de que os palestinos são ativistas políticos avessos à paz e revela o cotidiano de um povo que mesmo em situações trágicas é capaz de encontrar forças
 
  Quatro amigos
David Trueba
 


 

  O afeto que se encerra
Paulo Francis
  Nova edição de um dos livros mais aclamados do consagrado jornalista

Um ajuste de contas com os leitores, com o Rio, com o Brasil e com ele mesmo
 
  O livro oficial do filme Fahrenheit - 11 de Setembro
Michael Moore
  O guia oficial do documentário mais famoso e provocativo dos últimos tempos

Tudo sobre como Michael Moore idealizou o filme Fahrenheit 11 de setembro, o documentário mais visto de todos os tempos, que tirou o sono do presidente George W. Bush
 
 

  Matéria em destaque

 

Carne Viva

Livro inédito do jornalista contestador, Paulo Francis

Paulo Hesse foi um dos protagonistas de “Cabeça de Papel”, primeiro romance de Paulo Francis. Pegue qualquer resenha do período: Paulo Hesse é sempre identificado como um alter ego de Paulo Francis. Era assim que a gente lia seus romances: em busca de pistas sobre o autor. O personagem autor encobria os personagens dos romances. A figura de um ofuscava as dos outros.

“Carne Viva” é o último romance de Paulo Francis. Nele, Paulo Hesse surge apenas por um instante. O banqueiro Francisco Guerra o reconhece em Paris, na Place Vendôme, em meio aos protestos de 1968. Ele está de costas, afastando-se. Francisco Guerra comenta: “Olha ali, olha só! É Paulo Hesse, o jornalista. (...) Lá vai ele se unir aos garotos e ajudar a queimar a cidade”.

Paulo Francis morreu em 1997. Ele tinha acabado de escrever um romance. Este aqui: “Carne Viva”. Na época, seu editor sugeriu uns ajustes. Era o que ele pretendia fazer quando, como Paulo Hesse, deu as costas e se afastou. “Carne Viva” permaneceu dez anos na gaveta, exatamente como Paulo Francis o deixara. Até o dia em que Sonia Nolasco, sua mulher, o releu. E, para a nossa sorte, resolveu publicá-lo.

De certa forma, “Carne Viva” é premonitório. É o relato de um Brasil sem Paulo Hesse e sem Paulo Francis. Em seus romances anteriores, o Brasil provinciano era contaminado – e era ridicularizado – pelo acontecia lá fora. Os personagens refletiam as idéias da corte, mesmo que de maneira enviesada. Em “Carne Viva”, esse universo pretensamente intelectual não existe mais. Pouco antes de morrer, Paulo Francis parece ter sentido que aquele seu mundo, feito de livros, de filmes, de conversas, de viagens, havia terminado.

No fim do romance, restam somente as ruínas de uma casa queimada. E o consolo de saber que “todas as paixões destrutivas pareciam gastas”.

seu amigo Diogo Mainardi